Viabilidade econômica, qualidade e avanços da pesquisa são discutidos no Fórum Nacional do Trigo

Evento em Passo Fundo (RS) reuniu cerca de 300 pesquisadores, profissionais do agronegócio, agricultores, produtores de sementes, cerealistas e moinhos de 10 estados brasileiros

Por Divino 05/07/2019 - 12:10 hs

O salto na produtividade do trigo em diferentes regiões do país está atrelado à pesquisa de tecnologias adequadas às necessidades específicas de cada região produtora, sempre buscando que a qualidade do produto atenda de toda a cadeia do trigo, desde o produtor, cerealistas, moinhos e o consumidor final. E para viabilizar o cultivo que sofre redução de áreas em detrimento ao mercado e do clima em certos estados do país, a cadeia tem se organizado para estabelecer, ainda antes do plantio, parcerias mais firmes entre a indústria e o produtor. Esses e outros assuntos foram debatidos durante o Fórum Nacional do Trigo, em Passo Fundo (RS). A programação é paralela à 13ª Reunião da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale (RCBPTT), que será realizada nos dias 3 e 4 de julho. Ambos eventos são promovidos pela Biotrigo Genética, com apoio da Embrapa Trigo.

 

Pesquisa aponta lucro de mais de R$ 200 por hectare

Um estudo realizado pela Fundação ABC em lavouras de trigo do Paraná e São Paulo apontou que a cultura trouxe lucratividade aos produtores que cultivaram consecutivamente o cereal no inverno. Segundo o pesquisador do setor de Economia Rural da Fundação ABC, Cláudio Kapp Júnior, responsável pela pesquisa que analisou o banco de dados coletados pelas cooperativas Capal, Frísia e Castrolanda, há 24 safras deu-se início ao controle dos níveis de produtividade dos produtores e dos níveis de custo de produção, juntamente com a Fundação ABC. “Com base nestes dados, realizamos uma análise para entender qual o resultado do trigo e percebemos que ocorreram safras em que o produtor perdeu dinheiro e outras em que ele ganhou, mas as safras em que ganhou dinheiro superaram as safras negativas. O estudo comprova uma rentabilidade acima de R$ 200 por hectare, mostrando o trigo como boa opção de inverno”.


Cláudio diz ainda que são casos reais registrados no PR e SP de produtores que, independente do mercado ou do clima, sempre cultivaram o trigo. Também frisa a importância de ser implantada uma metodologia que diferencie o fluxo de caixa e a gestão, para compreender que a cultura pode ser boa opção financeira para a safra de inverno.

 

 

Perspectivas do Trigo: passado, presente e futuro

O engenheiro agrônomo, PhD em melhoramento genético e diretor da Biotrigo Genética, Ottoni Rosa Filho, abordou as novas tecnologias para o trigo na abertura do painel "Perspectivas do Trigo: passado, presente e futuro". Segundo ele, novas tecnologias são comuns em milho e soja. Para trigo, o tema é visto de forma bastante diferente. Ele detalhou algumas tecnologias que estão mais próximas do triticultor, sob uma perspectiva global. “Estas tecnologias -  HB4, Clearfield e Heathsense - têm em comum terem dois componentes: propriedade intelectual e agregação de valor. No caso do trigo, o valor agregado pode ser para o agricultor ou o consumidor final do trigo”, disse.


O engenheiro agrônomo e consultor Sérgio Schneider, apresentou o cenário do trigo no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Segundo ele, o trigo sempre foi uma cultura importante na região, fazendo parte do binômio trigo/soja. Hoje na grande maioria das regiões tritícolas do RS são cultivados menos de 20% da área útil para a cultura, em função da instabilidade climática e da falta de políticas de preços e garantias de comercialização. Entretanto, com relação a área cultivada ele enfatiza que ela já foi maior no passado, por outro lado, o crescimento da produtividade deu um salto. “Por vários anos tínhamos a famosa receita dos 25 sc/ha, sendo que hoje, bons produtores têm superado os 80 sc/ha com facilidade”, comentou.